Quando a vida bate forte

Eu caminhando na praia em Villas do Atlântico (Foto: Evellyn Rocha)

Uma das coisas mais importantes que eu aprendi com as artes marciais foi a capacidade de me reerguer, de dar a volta por cima. Acho que esse ensinamento veio do cair e levantar do Judô, ou do empenho do meu professor de Jiu-jitsu em fazer com que eu conseguisse fazer os golpes que ele ensinava. Porque vou ser sincero com você; pra mim o começo foi muito difícil, eu não tinha coordenação motora e nem mobilidade, além disso estava com sobrepeso, então você já deve imaginar minha dificuldade né.

Mas eu ia tentando e dia após dia, me esforçando. Chegava em casa acabado e com o kimono pesando quase o dobro por conta do suor. La no tatame eu dava o meu melhor, fazia o meu 100%, mesmo sem conseguir fazer nada, risos. Conforme o tempo foi passando, fui conseguindo né? Seria impossível não conseguir fazer alguma coisa, já que eu me esforçava tanto. Assim fui construindo uma mentalidade de persistência, de empenho, superação e colhendo os resultados.

Meu professor sempre me motivou, estava ali junto comigo nos momentos difíceis, falando que eu conseguiria. Acho isso muito importante e procuro fazer o mesmo com os meus alunos. Se você já teve alguém pra te motivar deve saber do que estou falando. Uma voz externa te dizendo: vai que você consegue, eu acredito em você. Reforça sua própria crença na realização, por isso valorizo meus professores e sou grato ao empenho de cada um deles.

Minha vida sempre foi cheia de altos e baixos e desde criança sei o que é dificuldade. Acredito que já sai da barriga da minha mãe tendo que lutar e mais tarde, no tatame, não acho que me descobri como lutador, simplesmente me tornei o que já era. Só que ali dentro eu tinha as ferramentas e as circunstâncias para exercitar minha capacidade de superação e isso foi essencial na formação do meu caráter.

Carrego as artes marciais comigo, para onde quer que eu vá, levo esses ensinamentos e compartilho com quem quiser aprender. Meu tatame é em qualquer lugar, treino ao ar livre, numa academia de musculação, num rol de prédio, numa quadra, num centro comunitário, na praia, enfim. As artes marciais estão enraizadas no meu sangue e através da minha fé em Deus e do empenho que dedico em me tornar melhor do que fui ontem, reconheço meu valor e consigo me reerguer, mesmo quando a vida bate forte, sem que eu note estar com a guarda baixa.

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